Entrevista com YOSHIKI

entrevista - 30.04.2018 01:46

YOSHIKI visitou a Finlândia durante sua turnê promocional para "We Are X", um documentário que conta a história do X JAPAN. Ele compartilhou seus pensamentos a respeito do documentário, mas também falou sobre seu passado e futuro do X JAPAN.

A primeira visita de YOSHIKI à Finlândia foi em 18 de outubro de 2017, durante a turnê promocional para o documentário "We Are X". O filme conta a história do X JAPAN e foi exibido na Finlândia três vezes: duas no Oulu Music Video Festival 2016 e uma durante o Rokumentti Rock Film Festival 2016. A rede de cinema finlandesa Finnkino exibiu o documentário uma vez em três cidades. YOSHIKI visitou Helsinki, cumprimentou os fãs e respondeu suas perguntas após o encerramento do filme. O JaME Finlândia teve a chance de entrevistar YOSHIKI antes da exibição. A entrevista ocorreu em colaboração com repórteres de três outros canais midiáticos.

Como é ter câmeras te seguindo todo o tempo? Teve algum momento que você teve que dizer, “Agora não”?

YOSHIKI: Eu estou muito acostumado a isso. Contudo, as entrevistas são muito difíceis, especialmente falar sobre as mortes dos meus amigos e do meu pai.

Como será o futuro do X JAPAN? O que acontecerá após esta turnê promocional?

YOSHIKI: Nós estamos terminando de gravar nosso novo álbum. Este é o nosso primeiro álbum em 20 anos. Provavelmente estaremos lançando-o na próxima primavera e dependendo da minha saúde, podemos fazer uma turnê depois. Eu passei por uma cirurgia no pescoço há cinco meses e ainda estou me recuperando. Por hora, não posso tocar bateria, mas quero arrumar uma forma de tocar novamente. Então sim, este será nosso primeiro álbum lançado mundialmente. No passado, nós lançamos discos apenas no Japão. Estou muito animado, mas ao mesmo tempo um pouco nervoso porque não sei se poderei tocar bateria de novo, mas veremos.

Você está satisfeito com o resultado do documentário ou sente como se algo tenha ficado por dizer?

YOSHIKI: Para que um filme capture a nossa história, provavelmente precisaria de centenas de horas e não centenas de minutos. (risos) Mas eu acho que o diretor/produtor fez um trabalho incrível, capturando alguns dos principais momentos do X JAPAN, mesmo aqueles dolorosos. O diretor e eu recebemos mensagens nos dizendo como, por causa deste filme, o escritor decidiu viver em vez de se matar. Nós recebemos este tipo de mensagem, então tenho que dizer que estou bem satisfeito.

Você mencionou que tem centenas de horas de material. O quanto disto foi passado para o filme?

YOSHIKI: Fitas eram usadas antes das gravações digitais, então a maioria da nossa coleção consiste em fitas. Estou sendo gravado todo o tempo, então você pode imaginar quanto material tem para o diretor passar. Quando Stephen (Kijak) começou a trabalhar neste filme, ele teve que ver todo este material, então eu disse, “Boa sorte!” (risos) Ele surtou. Ele não sabia no que estava se metendo. Então há toneladas de material.

Quando você assiste ao material antigo do início dos anos 90 ou final dos 80, que tipo de memórias despertam?

YOSHIKI: Tristes, mas ao mesmo tempo há alguns momentos felizes também. Apesar de eu não ter sido o único a sofrer com o material; eu basicamente apenas entreguei tudo ao diretor/produtor, então eu não estava muito envolvido no processo de criação do filme. Eu tentei ser mais o assunto do que um criador ou produtor, porque o tópico era muito doloroso para mim.

No filme você não só falou um pouco sobre o que aconteceu entre 1997 e 2007, mas em também em transformar músicas do X JAPAN em versões com orquestras sinfônicas. Você ainda está fazendo este tipo de coisa?

YOSHIKI: Este ano eu fiz dois shows no Carnegie Hall em Nova York junto com a Orquestra Filarmônica de Tóquio. Nós tocamos principalmente minhas composições antigas, como o concerto para piano que eu escrevi para o Imperador do Japão, a composição que eu fiz para o Globo de Ouro e a composição para o World Expo. Nós também tocamos algumas versões clássicas de músicas do X JAPAN. Eu toquei Tchaikovsky e Beethoven também. Aquele foi um show bem memorável. Você sabe, eu toquei neste ano na London Wembley Arena com o X JAPAN. Este também foi um show memorável. Então dois meses depois, agora faz cinco meses, eu passei por uma cirurgia no pescoço. Contudo, eu garanti que isto não me parasse, então continuei gravando e gravando. Sim, então agora eu estou apenas promovendo este filme “We Are X” e gravando o álbum do X JAPAN. Então, assim que o álbum estiver terminado, eu poderei colaborar com o Marilyn Manson e escrever algumas músicas juntos. O que quer que eu esteja fazendo…

A música tema de Hello Kitty?

YOSHIKI: Sim, isso. E eu estive compondo música clássica também.

Semana passada, com base no filme, a manchete do jornal The Times chamou o X JAPAN de “a banda mais sortuda do mundo”. O que você acha disso? Você acha que esta expressão é precisa?

YOSHIKI: Eh, é claro que eles podem dizer isso. Quero dizer, nós poderíamos ser a mais azarada – ou talvez a mais traumática – mas ao mesmo tempo, você sabe, após todos aqueles anos nós temos muitos fãs incríveis pelo mundo. Esses fãs estão aumentando, então você também pode dizer que nós somos a banda mais sortuda do mundo.

Ser visual sempre foi uma grande parte do X JAPAN.

YOSHIKI: Claro que a música precisa vir primeiro, mas o visual tem sido muito importante para nós. Quando fazemos os shows, nós também enfeitamos o palco, então porque não iríamos nos enfeitar também. Nós somos muito influenciados pelo KISS e David Bowie, então sim, o visual é uma parte muito importante de nós.

Em 1977, você se disse maravilhado quando viu o KISS no Budokan, e no futuro você veio até a trabalhar com eles. Você fez uma versão orquestrada de uma das músicas do álbum Kiss My Ass, certo?

YOSHIKI: Sim.

Black Diamond?

YOSHIKI: Sim. Eu transformei uma música do KISS em concerto de piano. Eu tive sorte em fazer isso e em conhecer os membros do KISS.

Você acha que o interesse e apoio ao X JAPAN está crescendo agora que o documentário ganhou a atenção da mídia?

YOSHIKI: Nós não fizemos o filme com esta intensão, mas o resultado é que estamos ganhando muita atenção do mundo por causa do filme. Sim, eu acho que a nossa música está de alguma forma se espalhando através desse filme também. Nós temos sorte.

X JAPAN agora conseguiu a atenção do mundo. Isto deve ter sido parte dos seus sonhos por muitos anos .

YOSHIKI: Entretanto, nossa vida ainda não acabou, certo? Então isso vai depender do que vamos fazer no futuro. Como eu disse, nós poderíamos ser a banda mais sortuda do mundo.

Durante os primeiros anos do X JAPAN, às vezes vocês faziam covers de outras bandas e tocavam eles nos shows. Uma dessas músicas se chamava Tragedy de uma banda finlandesa chamada…

YOSHIKI: Hanoi Rocks!

Você pode nos contar mais sobre isso?

YOSHIKI: Mas como você sabe disso? Está no YouTube ou algo assim?

Eu vi um set list na internet.

YOSHIKI: Eu me esqueci completamente disso. Sim, nós costumávamos a fazer cover do Hanoi Rocks. (nostálgico)

Como vocês conheciam o Hanoi Rocks naquela época?

YOSHIKI: Eu acho que a música era do primeiro álbum do Hanoi Rocks.

Hanoi Rocks era muito famosa no Japão naquela época.

YOSHIKI: Sim. Na verdade, eu não sabia que a Hanoi Rocks é da Finlândia. E o Mumin1 também, certo?

Sim! (todos riem) Você já aprendeu alguma palavra finlandesa?

YOSHIKI: Qual era mesmo… Moi? (um cumprimento em finlandês; rindo feliz)

Você ainda de onde o nome X veio?

YOSHIKI: Nós não sabíamos de fato qual deveria ser o nosso nome, então escolhemos X como um nome temporário. Eventualmente descobrimos que X significa infinitas possibilidades ou algo assim. Por causa desse nome, nós continuamos tentando e tentando, mesmo que a arte fosse uma luta. Nós também acreditávamos que nada era impossível, então é por isso que mantemos o nome X. Então, quando fomos à America havia uma banda chamada X, então fomos chamados X from Japan. Esse nome era um pouco longo, então apenas nos livramos do ‘from’. Estou muito feliz com o nome.

De acordo com o filme, é dito que o X JAPAN foi a primeira banda de metal japonesa a fazer sucesso internacionalmente, mas há algumas outras bandas antes, como o Loudness. O quão familiarizados vocês estavam com eles?

YOSHIKI: Completamente familiarizados. Eles são uma banda incrível – mesmo que tenhamos brigado algumas vezes. (risos) Quero dizer, eles vieram bem antes de nós. Músicos incríveis. O estilo deles é mais tradicional. Eles são hard rock; você pode classificar assim. Seu contexto era punk rock, new wave e heavy metal, mas o X misturou tudo. Nós realmente não pertencíamos a nenhum gênero, então condo os encontramos o Loudness pela primeira vez, eles não sabiam quem nós éramos. Teve uma festa e eu perdi. Eu entrei em uma grande briga, mesmo respeitando muito eles. Então, eventualmente TAIJI se juntou a eles quando deixou o X JAPAN. Eu acho que eles ainda estão muito ativos. Eu tenho muito respeito por eles. Eles são uma das primeiras bandas de rock do Japão, então sim, eu os respeito muito.

Loudness já tocou na Finlândia algumas vezes.

YOSHIKI: Ah mesmo? O quão grande eles são?

Eles tocaram por dois anos seguidos, no verão, e normalmente em festivais. Eles conseguiram um pouco de atenção do público tradicional hard rock.

YOSHIKI: Eles são guitarristas incríveis.

O JaME de agradecer a YOSHIKI, Manna Katajisto e aos repórteres Tove Selin, Marko Syrjälä e Arto Lehtinen do metalrules.com, thisisrock.net e aasia.info.

1NT.: A Família Mumin é uma família de ficção literária, criada pela escritora sueco-finlandesa Tove Jansson.
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