Introduzindo "Globalizando o Visual Kei: Uma Série Virtual"

arquivo - 08.07.2011 21:01

A série virtual “Globalizando o Visual Kei” vai levar os fãs e pesquisadores em uma viagem de quatorze semanas para aprender sobre o visual kei – dentro e fora.

Visual kei, traduzido como “estilo visual” é um estilo de rock japonês caracterizado pelas bandas se apresentando enquanto vestidos em roupas intricadamente projetadas, com uma forte propensão andrógena. Enquanto o visual kei começou como um gênero puramente orientado pelo rock, ele soa eventualmente aberto para refletir o pop-rock, o rock eletrônico, o alternativo estilo-ocidental e até o metal enquanto mantém seu distinto visual.

Começando como um cenário underground no Japão, com o tempo, o visual kei viu um breve "boom" de atividade dentro da corrente principal da música japonesa e, nos anos recentes, no exterior. Esse fenômeno globalizado causou uma agitação pelos cenários musicais mundo afora, criando um novo público que subitamente virou a sua atenção para um país que muitos antes não tinham reconhecimento por sua música. Apesar desse novo achado interesse, o cenário continuou uma subcultura mundial. Apesar das atividades principais do visual kei se desenvolverem apenas no Japão, é uma cena familiar para uma pletora de fãs por todo o mundo; contudo, para a maior parte dos fãs não-japoneses, suas atividades básicas acontecessem online. Ainda esses fãs apreciam a habilidade de encontrar refúgio para as regras do dia-a-dia, amigos internacionais e, para muitos, uma música excepcionalmente única. Como várias bandas de visual kei, departamentos da indústria e fãs pelo mundo acreditam que o visual kei não é apenas música ou moda, mas um estilo de vida; um que deve banir do estereótipo e discriminação e, em vez disso, receber sua chance de reconhecimento mundial.

Nota da Autora


Como uma entusiasta da música japonesa que experimentou o cenário de vários espectros diferentes, acho que o visual kei é um estilo musical que pode atrair a atenção da mídia, mas como vários estilos selvagens no passado, como o eletrônico, o hardstyle, etc., ele foi muito ignorado pelo público e mídia por simplesmente ser extravagante e diferente. Enquanto algum dia o sonho de aceitação da mídia pode se tornar uma realidade, por enquanto, o visual kei continua uma cena underground.

Muitos fãs não se dão conta da dificuldade envolvida em promover e organizar eventos das bandas no exterior, nem entendem os aspectos financeiros do visual kei. Isso varia desde o pagamento ínfimo dos músicos, falta de vendas e a noção da mídia japonesa, até o fato de que muitos têm vários trabalhos para manter seu estilo de vida musical. Enquanto muitos produtores musicais e até mesmo a imprensa acha que esses aspectos não são sempre importantes para os fãs saberem, eu tendo a discordar; Acho que uma boa visão de como o cenário realmente funciona possibilita aos fãs apreciar em plenitude não só a música, mas todas as pessoas que dedicam o seu tempo e trabalham duro para fazer isso tudo possível.

Quando visitei o Japão pela primeira vez há oito anos, eu era como muitos fãs iludidos e acreditava que o visual kei era o principal e mais amado pela maioria dos japoneses. Eu fiquei muito surpresa ao encontrar a realidade do visual kei: locais minúsculos, os mesmos fãs em uma variedade de shows, e muito poucos recursos de verdade para comprar a música. Mais adiante, quando indagados sobre o visual kei, muitos japoneses nem tinham ideia do que era, ou riam. Com o tempo, tanto dentro do Japão quanto nos Estados Unidos, eu vi o cenário crescer, mas nunca chegou ao mercado da mídia musical; a cena parou e enquanto flutuava no interesse do público, nunca ultrapassou esse ponto.

Esta série virtual primeiro começou como uma dissertação escrita em 28 páginas por cinco meses para uma aula de globalização japonesa; meu projeto foi escolhido depois como projeto vencedor do 2011 CEPEX Japan studies research award (Prêmio de pesquisa e estudo do Japão 2011 CEPEX). Foi agora modificado para publicação, com um material extra adicionado exclusivamente para o JaME.

Na dissertação, eu tentei discutir como o visual kei começou e se popularizou no exterior, e os problemas que existem no cenário. Eu conduzi enquetes e entrevista de fãs, da imprensa, organizadores de evento, convenções de anime e da população em geral, compilando o material empírico (material resultante de experiência, observação de primeira-mão e entrevistas) para determinar como o cenário aparece de todos os lados desse diverso estilo musical. Na pesquisa eu conduzi para isso, me tornei ciente da pouca informação que havia sobre visual kei em inglês e, depois, quão pouca informação de estilo-erudito existia, o que podia ser usado em dissertações de pesquisas. Depois da conclusão, eu decidi publicar o meu trabalho para remediar isso. Eu mantive todas as citações e fontes intactas e não mudei os termos técnicos na esperança que outros pesquisadores encontrem isso útil no futuro.

Cronograma de lançamento*


I. : Introduzindo "Globalizando o Visual Kei: Uma série virtual": 5 de junho
II. : Nos bastidores do Visual Kei: 12 de junho
III. : A Ascensão do Visual Kei – EUA e América do Sul/Central: 19 de junho
IV. : A Ascensão do Visual Kei – Europa, Oceania e Leste da Ásia: 26 de junho
V. : Entrevista com Jimi Aoma: 3 de julho
VI. : Trechos de Entrevistas Musicais: 10 de julho
VII. : Visual Kei e Anime: 17 de julho
VIII. : O Lado Empresa do Visual Kei: Trechos de Entrevistas: 24 de julho
IX. : Glam Rock, Visual Rock e Artistas Inspirados no Visual: 31 de julho
X. : O Fã do Cenário Visual Kei: 7 de agosto
XI. : A Era Digital: Marketing no Exterior: 14 de agosto
XII. : Entrevista com Kiwamu, Starwave Records: 21 de agosto
XIII. : O Visual Kei Hoje e o Futuro do Visual Kei: 28 de agosto
XIV. : Resultado Completo da Enquete Mundial (6.384 votos): 4 de setembro

*Nota da tradutora: As datas são relativas ao lançamento americano e foram preservadas para manter a integridade do artigo e sua criação. Na versão brasileira, os lançamentos serão aos sábados, iniciando no dia 9 de julho e finalizando no dia 8 de outubro.

A História do Visual Kei


De acordo com os autores do livro "Visual Kei no Jidai", a primeira forma de glam rock começou em 1970 na Inglaterra, gerada por David Bowie e T-Rex. O glam rock logo cruzou o oceano e foi popularizado nos Estados Unidos pelo KISS em 1973. Enquanto o cenário do glam rock ainda não tinha chegado ao Japão até o final da fase dos “cabelos grandes” no meio de 1980, o heavy metal trash americano ajudou na criação da nova fase da música rock japonesa: Visual Rock Era I. Os autores do livro depois detalham as muitas transições que o visual kei se envolveu pelos anos seguintes acompanhando essa fase inicial. Visual Rock Era I durou apenas uma década e foi a Era de nascimento das bandas de rock, X JAPAN e LUNA SEA, dois dos maiores artistas visuais no Japão, ambos ainda musicalmente ativos hoje. A era foi definida por uma música rock sólida com roupas selvagens e maquiagem e cabelos extremamente gozados. Fundados no distrito de Aichi em Nagoya, as bandas que cresceram desse estilo pela próxima década tinham um distinto visual sombrio e eram notáveis por sua tendência em terminar suas ativadades, com os membros reaparecendo em novas bandas com a organização feita de uma mistura de membros das bandas anteriores.

Visual Rock Era II começou em 1993, e abrangeu bandas como MALICE MIZER, GLAY e L’Arc~en~ciel. Ironicamente, as duas últimas bandas hoje não estão mais associadas com seu visual de raiz. Durante esta Era, a aparência do visual era de uma qualidade maior do que a vista antes. Além disso, havia uma melhor diversidade na música produzida pelas bandas. Foi durante essa Era, por volta de 1995, que a mídia musical japonesa notou o visual kei, causando um "boom" entre a população em geral que durou pelos próximos quatro anos.

Em 1997, enquanto o neo-glam estava prosperando na América com Marilyn Manson, o visual kei sofreu sua próxima mudança, a Visual Rock Era III. Essa foi a Era de bandas como La’cryma Christi, ROUAGE e PENICILLIN. Esse período foi um de excepcional brilho, roupas detalhadas, e contínuas variações no som, ajudando a definir o visual kei como seu próprio gênero e moda. Além do mais, essa Era viu o começo de mais estilos derivados do original kote kei, como a emersão do “Eroguro Nansensu Kei” (“estilo erótico grotesco nonsense”) que focava no erotismo e foi usado por uma variedade de artistas visual kei (notavelmente, cali≠gari) e “angura kei” (“estilo underground”) com bandas que usavam o quimono tradicional ou uniformes japoneses. Essa Era também produziu o “ouji kei” ou “estilo príncipe”, conhecido pelo público estrangeiro como “kodona kei” ou “estilo menino”. Ouji kei foi criado por Ryutaro, vocalista do Plastic Tree, e é frequentemente descrito como a “versão masculina de roupas Lolita vitorianas”. 1

Foi em 1999 que o movimento da mídia musical para o visual kei cessou no Japão, e o cenário se solidificou como um estilo underground para o país.2 A população em geral começou a ver o visual kei similar a geração otaku (“nerd”) – visual kei era só para ouvintes que eram estranhos, rebeldes e não-adequados a sociedade apropriada devido ao seu visual selvagem e frequente aparência andrógena dos membros das bandas. Foi graças a este estereótipo que o visual kei é frequentemente associado aos adolescentes.3

Em 2001, o visual kei viu outra transição, o Visual Kei New Generation (Visual Kei Nova Geração). Durante essa face emergiu o animado “oshare kei” (“estilo elegante”) que mudou não só a aparência, mas o som do visual kei, produzindo um tipo de som de pop-rock mais feliz, frequentemente acompanhado de trajes coloridos. Foi nesse período que as bandas estavam mais agressivamente vestidas do que antes, com música e letras intrincadas. Foi também durante a New Generation que o visual kei viajou para o exterior. A primeira apresentação no exterior na Ásia foi em Taiwan com LUNA SEA em janeiro de 19994 seguida pelo primeiro evento ocidental nos Estados Unidos com Duel Jewel em 2002.5

A mais recente evolução no visual kei foi a Neo Visual Kei, que ocorreu por volta de 20046 ao mesmo tempo em que Europa e América do Sul e Central experimentaram sua primeira banda de visual kei em 2004 e 2005, respectivamente.7 Essa Era produziu um fluxo de novas bandas que inundaram o cenário e que foi atribuído infelizmente ao número de bandas que terminaram, incluindo muitas bandas populares de visual kei da Visual Kei New Generation. Essa Era ainda está ocorrendo de forma discutível, com muitos fãs reclamando que o Neo Visual Kei produziu muitos artistas “imitadores”, artistas visual que são muito similares em design e som.8

Como muitos cenários musicais que existem hoje, o visual kei sofreu muitas mudanças, evoluindo o estilo para como ele existe hoje. Ainda dentro do estilo, as próprias bandas continuam a transitar e crescer, tornando o visual kei um cenário que está em constante crescimento ainda que continue a permanecer distinto.

Na próxima semana...


Se junte a nós novamente no próximo sábado enquanto nós acompanhamos frequentes concepções erradas sobre o visual kei, investigaremos algumas realidades monetárias e discutiremos sobre o estigma social que ainda prende o estilo musical hoje.

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[1] "Ryotarou x CHRISTOPHER NEMETH", Gothic and Lolita Bible, Vol. 1, 2001.
[2] Kiwamu Kai, E-mail interview, February 13, 2011.
[3] Cameron Scholes, E-mail interview, March 31, 2011.
[4] "Luna Sea First Asian Tour in Hong Kong 1999", last modified December 15, 2010, "Luna Sea", last modified May 24, 2011.
[5] “Project A-Kon”, last modified April 4, 2011.
[6] "Shinjidai ni Totsunyu! Neo Visual Kei Band Taidō no Kizashi" Oricon, June 7, 2006, accessed March 15, 2011,
[7] "JaME Schedule", last modified April 14, 2011.
[8] "Globalizing Visual Kei: Fan Survey", last modified March 11, 2011.
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