Globalizando o Visual Kei: A Ascensão do Visual Kei – Américas do Norte, Central e Sul

arquivo - 23.07.2011 01:47

Na terceira parte da série virtual “Globalizando o Visual Kei”, JaME investiga a história do visual kei na América do Norte, Central e do Sul.

Introdução do Visual Kei para os Estados Unidos


Antes do primeiro show de visual kei nos Estados Unidos, o gênero era conhecido apenas por fãs americanos que o tinha descoberto por outros meios além dos shows, por veículos como a internet, os desenhos japoneses e o boca-a-boca. A emersão do visual kei junto ao cenário da cultura japonesa nos Estados Unidos ocorreu imediatamente antes do maior pico de vendas da animação japonesa em 2003, onde a renda com anime nos Estados Unidos chegou a $ 550 milhões1 (R$ 787.150.000,00).

DuelJewel foi o verdadeiro “pioneiro” no exterior, fazendo a primeira apresentação visual kei no A-Kon em Dallas, Texas em 2002.2 No ano seguinte, DuelJewel fez outro marco na história do visual kei dentro dos Estados Unidos quando conduziram a primeira turnê visual kei americana pelo patrocinador Jhouserock. A banda fez sua turnê por cinco cidades que incluíram algumas paradas em convenções de anime incluindo a Katsucon na Virginia,3 Anime Central4 baseada em Illinois, e uma revisita à A-Kon no Texas.5

A primeira banda de visual kei a se apresentar lado a lado com bandas americanas foi o D’espairsRay, que fez um show duplo com Genitorturers, e Trashlight Vision, em 2005.6 Isso abriu as portas para uma mútua cooperação entre artistas japoneses e não-japoneses mundialmente, levando a múltiplas turnês pelo mundo.

No mesmo ano, o visual kei viu a primeira convenção somente sobre o rock japonês, chamada Jrock Connection, feita em 2005 e em 2006 em Santa Clara, Califórnia.7 Apesar de a convenção só ter durado apenas dois anos, fãs que foram, viram as apresentações de vários artistas japoneses de visual kei e de rock, incluindo Karma Shenjing assim como bandas americanas inspiradas em visual kei, como Serafilia.



Como visto no quadro acima, as apresentações de visual kei nos Estados Unidos deram início em 2002 e começaram a crescer de forma gradual ao longo dos anos, com picos em 2008. Em contraste, o número de artistas únicos, ou seja o número de diferentes artistas que fizeram shows anualmente, certamente cresceu, mas foi bem mais estável que a soma de shows no geral. Isso pode ser atribuído a artistas como DIR EN GREY, que fazem turnês prolongadas, e artistas que visitam tanto convenções de anime quanto locais de show na mesma viagem; em alguns casos, esses artistas foram as únicas bandas de visual kei a visitar os Estados Unidos naquele ano.

No verão de 2006, DIR EN GREY se integrou com sucesso a turnês com bandas de rock não-japonesas durante o Family Values Tour e sua aparição no South by South West. O grupo começou a gradualmente construir novos fãs dentro da América fora do fandom visual kei e de rock japonês enquanto continuava sua transição para o rock mainstream, fazendo seu visual e seu som mais atraente ao público dominante, mas ainda agradável para um fã de visual kei.

O ano 2007 marcou um evento muito importante para fãs do outro lado da nação quando Jrock Revolution foi anunciado, o primeiro grande evento de várias bandas que rolou por dois dias em um final de semana do “May American Holiday Memorial Day”* em Los Angeles, Califórnia. Nove bandas do Japão vieram para a apresentação, incluindo artistas como MIYAVI, Kagrra, Alice Nine e girugamesh. Sendo o primeiro do tipo para visual kei nos Estados Unidos, a venda do show esgotou imediatamente e trouxe público de todas as partes do mundo.8 Este ano também marcou a primeira longa turnê solo do DIR EN GREY dentro dos Estados Unidos, visitando fãs em 16 cidades.9
*Nota da Tradutora: é um feriado Americano, na última segunda de maio, em lembrança a Guerra Civil Americana.

No ano seguinte, os shows atingiram o ponto máximo em 2008 com mais de cem shows de visual kei. Foi também neste ano que MUCC, D’espairsRay e THE UNDERNEATH foram convidados para se apresentar na grande turnê de bandas de rock americana Rockstar Taste of Chaos, facilitando ainda mais a consciência do visual kei na mídia do rock americano.

Quando a turnê Taste of Chaos aconteceu, bandas como MUCC e D’espairsRay ainda utilizavam o estilo visual, fazendo a conquista da aceitação musical da mídia um feito ainda maior. Apesar do grande sucesso da turnê, esta não foi tão acompanhada com subsequentes atividades entre bandas japonesas e não-japonesas, e pareceu que logo depois a mídia americana esqueceu sobre o visual kei.

Apesar de o contínuo crescimento do visual kei em popularidade durante os anos, os shows diminuíram de forma significativa em 2009. Isso pode ser atribuído a várias causas: A quebra da bolsa no final de 2008 e a crise econômica nos Estados Unidos, bem como a epidemia do vírus H1N1. Mesmo durante este cenário, muitas turnês ocorreram: VAMPS visitou os seus fãs em dez cidades pelo país, enquanto as bandas BLOOD e GPKISM fizeram uma turnê por seis cidades da costa leste assim como visitaram o Texas.

Enquanto antes os shows de visual kei eram feitos em convenções de anime, em 2007, como visto no quadro abaixo, isso mudou rapidamente, com espaços sendo usados de forma intensa nos anos seguintes do milênio. Isto sinalizou a probabilidade de sucesso total durante eventos solo e turnês, tornando o uso de espaços lucrativo e possível com um mínimo de perdas.

Mesmo durante o período de dificuldades financeiras em 2009, promoters optaram por trabalhar primeiramente com convenções de anime em vez de organizar particularmente turnês e shows solo com locais; esta foi uma jogada segura dos promoters para provavelmente assegurar que eles não teriam problemas financeiros fazendo a organização dos eventos. Este ano, fãs de visual kei viram praticamente dobrar o número de shows em convenções de anime em relação aos que ocorreram em 2008. Vamos discutir o visual kei e anime mais extensivamente durante a parte VII da série virtual “Globalizando o Visual Kei: Visual Kei e Anime”



Entre poucos shows de visual kei, outros eventos japoneses também foram cancelados naquele ano nos Estados Unidos devido ao vírus H1N1, incluindo o cancelamento do evento da empresa japonesa de bonecos, Volks, Dolpha, em Nova Iorque, que é uma convenção de bonecos articulados. H1N1 foi citado como causa do cancelamento.10 A-KON, a convenção de anime do Texas também citou seu grande contratempo com o visual kei ocorrido quando a dupla LM.C cancelou sua apresentação um mês antes da convenção devido ao H1N1.11

2010 foi um ano excitante para a maior parte dos fãs de visual kei, com um número recorde de turnês de longa duração; MIYAVI, D’espairsRay, VAMPS foram alguns dos muitos que vieram ao país naquele ano. O ano de 2010 também foi notório pelas sete paradas da turnê norteamericana dos pais precursores do visual kei, X JAPAN.

Visual Kei no Canadá


A apresentação do Canadá ao visual kei veio anos depois dos Estados Unidos, com um dos primeiros shows sendo uma turnê dupla com bandas americanas e japonesas, The Family Values Tour de 2006, onde o DIR EN GREY tocou junto com DEFTONES, KORN e várias outras bandas.12

Durante os próximos dois anos, DIR EN GREY continuou a ser o único artista de estilo visual a visitar a área, se apresentando tanto em Toronto quanto em Montreal durante suas turnês principais. Em 2010, MIYAVI abriu seu caminho para o Canadá durante o NEO TOKYO SAMURAI BLACK WORLD TOUR e se apresentou tanto em Vancouver e Toronto. No verão do mesmo ano, D’espairsRay se aventurou pelo Canadá, apresentando um show em Toronto no começo de agosto, logo seguido pelo DIR EN GREY, que voltou junto com a banda finlandesa de metal e violoncelo Apocalyptica em outubro, quando a banda visitou Vancouver e Toronto durante sua turnê norte americana.13

Enquanto 2011 viu uma pequena porcentagem da atividade visual kei pelo Canadá, o país continuou atrás da maior parte dos outros países ocidentais ao redor do mundo em termos de receptor anual de shows.

O aumento da popularidade do Visual Kei nas Américas Central e Sul


Enquanto o interesse no visual kei estava crescendo no mercado internacional quase no mesmo nível, os artistas de visual kei não se aventuraram pelas Américas Central ou Sul até dois anos depois de sua iniciação no apelo ocidental. Em 2005, o primeiro artista que finalmente irrompeu nesta área foi BLOOD.14



Pelos primeiros anos após a primeira visita do BLOOD ao México, não só eles foram os únicos artistas a visitar os fãs de visual kei na América Central anualmente, mas também o México foi o único país que a banda visitou primeiramente; em 2007 isso mudou quando o Charlotte se arriscou e viajou ao Brasil para saudar os fãs que estavam pacientemente esperando pela turnê deles.15

Pelos próximos dois anos, tanto a América Central quanto a do Sul viram um aumento vertiginoso na quantidade de show, com vários artistas visitando países pelo continente, incluindo Costa Rica, Argentina e Chile. 2009 foi um ano de pico para fãs da América Central e do Sul, que receberam quatorze shows de cinco artistas diferentes, incluindo pequenas turnês de MIYAVI, An Cafe e LM.C.

Em 2010, contudo, a atividade em ambas as área começaram a diminuir, mas fãs ainda viram cinco shows, quando o Versailles -Philharmonic Quintet- fez turnê por quatro países da América do Sul.16 Logo após, VAMPS viajou para a América do Sul, fazendo apenas um show no Chile. Este show atraiu quase 5.000 fãs e rapidamente chamou a atenção da imprensa japonesa.17

Enquanto América Central e América do Sul não viram a mesma quantidade de artistas visual kei que outras áreas, estão de volta ao topo para 2011 com vários shows já marcados.

A Popularidade do Artistas Japoneses Não-Visual


Bem depois da entrada do visual kei no cenário musical americano, bandas japonesas não-visual vem visitando e aproveitando públicos saudáveis, como Shonen Knife tocando com a banda americana grunge Nirvana pelos anos 1990,18 a turnê de rock South by Southwest Tour especial Japan Nite natural do Texas e novos atos pop em convenções de animação japonesas durante o milênio. Apesar da crescente popularidade do visual kei, ele não foi nem aceito, nem promovido no mesmo nível que artistas não-visuais, por uma variedade de razões inquestionáveis. Temos que considerar que o visual andrógeno dos artistas visuais para um fã ocidental pode ser perturbador e considerado “homossexual”, e para muitos fãs, pode ser deslocado apesar de haver bandas similares em sua própria cultura, como Marilyn Manson ou Lady Gaga, dois importantes artistas americanos claramente de estilo visual. Vamos discutir isso com mais detalhes na parte IX da série virtual “Globalizando o Visual Kei: Glam Rock, Visual Rock, Artistas Inspirados no Visual”.

Enquanto artistas tanto visual quanto não-visual cantam principalmente em japonês, à medida que artistas não-visual abrangem uma variedade de gêneros, como PUFFY ou Utada Hikaru com música pop, é muito mais fácil integrar estes artistas na música mainstream com alto nível de aceitação do que em um nicho do mercado como rock ou visual kei. Além disso, mais gravadoras e organizadores estão querendo bancar turnês completas ou shows que eles tem conhecimento que serão rentáveis ou podem atrair público.



No quadro de apresentações não-visual versus visual dentro dos Estados Unidos pode ser visto que, na década passada, o visual kei era muito ofuscado pelo cenário musical japonês não-visual; contudo, isso não quer dizer que não havia uma atividade seguindo pro visual kei.

Também é notório que apesar da crise econômica de 2008 e o vírus H1N1, o não-visual cresceu em 2009. Esse crescimento não indica especificamente que mais artistas não-visuais estavam vindo do Japão, porém. Parte desta atividade crescente é devido aos artistas japoneses que moram nos Estados Unidos, como Peelander Z fazendo mais apresentações durante este tempo. Em particular, Peelander Z, uma banda punk japonesa baseada em Nova Iorque, fizeram 670 dos shows não-visuais apresentados nos Estados Unidos durante este período de dez anos.

Na próxima...


Junte-se a nós no próximo sábado para a entrevista de Jimi Aoma, ex-baixista da banda visual kei Chemical Pictures. Ele estará discutindo suas experiências não só dentro do cenário visual kei e sobre estar em uma banda, como também ser um americano em uma banda completamente japonesa.

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Nota do Autor: Mesmo batalhando para acumular um relato muito acurado do cenário visual kei no exterior, não sou expert e não posso garantir que esse relato esteja perfeito. Podem existir alguns artistas que chamei de “visual kei” que os leitores podem discordar e vice-e-versa. Espero que vocês achem essa história útil e perspicaz e o mais precisa possível. Peço desculpas, contudo, se houver algum show que foi esquecido entre os descritos.

[1] Allison Anne, Millennial Monsters. (Uni. Of California, 2006) 165.
[2,5] “Project A-KON” , last modified April 4, 2011.
[3] "Katsucon”,last modified May 28, 2011.
[4] “Anime Central”, last modified May 31, 2011.
[6] “D’espairsRay JaME Schedule”, 2011.
[7] “Jrock Connection”, 2011.
[8] "Behind the Scenes Interview with Jrock Revolution Organizers", JaME, July 9, 2007.
[9] "Dir En Grey: US Tour Dates Announced" , Blabbermouth.net, November 11, 2006.
[10] "A message to American SD Owners and All Doll Fans", Dolls Party in New York 4, 2009.
[11] Jess Reade, A-Kon, E-mail interview with author, March 6, 2011.
[12] "Timeline", Dir En Grey Official Site, 2011.
[13] "Canada JaME Schedule", 2011.
[14] "Blood JaME Schedule", 2011.
[15] "Charlotte JaME Schedule", 2011.
[16] "Versailles JaME Schedule", 2011.
[17] "Vamps 6 kakoku angya no nekkyou world tour nanbei chile de kanketsu", Natalie, November 8, 2010, accessed June 17, 2011.
[18]“Knife Fight”,Metroactive Music, October 2, 2003, accessed April 1, 2011.
[19] “Past Shows”, Peelander Z Official Site, 2011
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