Globalizando o Visual Kei: Entrevista com Jimi Aoma

entrevista - 30.07.2011 19:26

No quarto artigo da série virtual "Globalizando o Visual Kei ", o JaME teve a oportunidade de entrevistar Jimi Aoma para discutir a cena visual kei, a fanbase e suas experiências pessoais.

No início da primavera de 2011, o JaME teve a oportunidade de entrevistar Jimi Aoma para discutir a cena visual kei, a fanbase e suas experiências pessoais. A experiência de Aoma é única: um californiano nativo, foi ex-baixista do Chemical Pictures e trabalhou na cena japonesa visual kei por mais de quatro anos. Hoje, Aoma vive em Tóquio e continua a tocar para diversos artistas, incluindo Steve Appleton e Tommy heavenly6.

Por que você escolheu estar em uma banda visual kei em vez de uma banda regular de rock?

Jimi: Eu comecei muito aleatoriamente, assim como quase todas as decisões da minha vida! Eu participei de bandas na América e nós fazíamos um pouco de pseudo-teatro, eu acho. Uma das bandas que participei era muito esquisita e engraçada, outra um pouco obscura, e eu era um cantor e ator, tinha tocado em algumas peças e musicais, e não me sentia bem estando ali usando uma camiseta, dedilhando minha guitarra e cantando. Então, tentei um monte de coisas.

Eu tinha ouvido falar do visual kei durante meus estudos japoneses e definitivamente tinha algumas bandas que eu gostava, mas musicalmente eu era mais inclinado para outros gêneros. A primeira banda a qual eu tentei me juntar era de metal progressivo, mas eles decidiram terminar em vez de me contratar! Geralmente, eu só estava indo a um monte de estúdios de ensaio diferentes e procurando no quadros "procuram-se músicos", pegando anúncios de pessoas que queriam baixistas, guitarristas, tecladistas, bateristas, vocalistas; eu não me importava, eu só queria alguém para me julgar como um músico. Conversei com um monte de bandas que eram céticas sobre ter um “gaijin” (ou “estrangeiro”) na banda, ou que eram muito entusiastas sobre ter um gaijin na banda.

Muitas bandas com as quais eu falei listaram vários guitarristas de metal ocidentais e do LUNA SEA como favoritos, e acabou sendo este tipo de banda neo-clássica visual kei europeia! Felizmente os caras foram muito legais, não dizendo uma palavra sobre se eu podia falar japonês ou por eu ser estrangeiro. Eu achei isso tão revigorante. Eu me entrosei e encontrei um monte de pessoas assim, e quando quase todo mundo que você encontra no Japão vai te olhar e dizer coisas estúpidas na primeira vez, as pessoas que eu encontrei no circuito visual kei foram as mais compreensivas e interessadas no que eu poderia fazer como músico. Eles viam minha nacionalidade como uma parte de mim e não como um todo.

Talvez as coisas tivessem sido iguais em outro gênero, quem sabe. O visual kei é o único gênero com o qual eu tenho experiência, mas a grande maioria dos caras da cena está sempre cuidando um do outro.

Quais foram as partes mais agradáveis e frustrantes de ser de uma banda visual kei?

Jimi: O coleguismo, os fãs que parecem gostar de você não importa o quê, os presentes maravilhosos e zelosos, a emoção de se apresentar e entrar em uma boa melodia, fazendo um monte de gravações, ouvindo isso e pensando, "wow eu escrevi isso!" e etc, tudo isso é muito agradável.

O que não é agradável é o pouco dinheiro, ver bandas que você não acha boas vendendo mais ingressos do que você (ninguém está livre de um pouco de ciúmes!), as longas viagens para Osaka, Nagoya ou Sendai, carregando toneladas de equipamentos pesados para todos os lugares, longas semanas em um estúdio, constantemente ter que tirar a maquiagem, lavar o spray do seu cabelo, lavar sua roupa suada, dormir pouco no tempo livre...

Eu também senti isso, quando peguei e comecei a gravar e fazer mais turnês, eu senti como se minha criatividade tivesse estagnado. Antes de entrarmos no estúdio, nós tínhamos mais músicas do que sabíamos o que fazer com elas. Estávamos todos melhorando nossas habilidades. E após isso eu sinto como eu não tivesse mais nenhum passo neste contexto. Então isto era um tipo de realização sóbria desagradável.

Outra coisa que eu pessoalmente não achava agradável era a ideia de que você tem que manter a sua imagem. Eu já fui aconselhado várias vezes a me vestir bem mesmo se eu só fosse sair para fazer compras, só para o caso de alguém me ver. Eu fui aconselhado a não frequentar nenhum lugar cheio com uma namorada, ou esconder a sua existência. Eu acredito que estou mais interessado em viver uma vida real do que viver uma falsa.

Você já foi criticado por fãs ou algum membro de outra banda (japonesa ou estrangeira) por ser uma pessoa estrangeira em uma banda visual kei?

Jimi: Eu não recebo mais nenhuma crítica (eu pelo menos não as vejo!), mas em mais de três anos eu ouvi apenas uma pessoa japonesa dizer alguma coisa mesmo que remotamente malvada. Eu recebi uma mensagem no meu antigo blog japonês do Chemical Pictures de uma garota japonesa que disse, “Volte para o seu país!” que foi apenas uma xenofobia engraçada e inofensiva. A maioria das críticas que recebi foi de pessoas estrangeiras. Eles disseram que eu era feio, que eu era um idiota ou um imbecil, eles eram totalmente contra a ideia de um estrangeiro em uma banda japonesa. A verdade é que eu não sou o primeiro, absolutamente. Ben da velha Chaos System, os irmãos do MONKEY MAJIK, Shen do Def Tech, e Jero. Portanto não há precedência. Por que era diferente quando era visual kei, e uma banda visual kei mais visível?

Entretanto, eu não deixei isso me colocar para baixo; para cada uma dessas mensagens que eu recebia, toneladas de mensagens de apoio realmente muito comoventes vieram. Eu tentei ignorar aquelas. A melhor maneira de responder a eles é tentar continuar sendo uma boa pessoa e um bom músico. Eu não sei o quão bem eu fui, mas eu tentei. Eu realmente não posso explicar porque alguém quer enviar para uma pessoa uma mensagem malvada sem ouvir a música, só se baseando em apenas uma foto.

Você pode compartilhar qualquer história de experiências negativas que você possa ter sofrido, seja com roupas ou discutindo sua profissão com amigos, colegas ou familiares?

Jimi: Eu fui muito, muito sortudo por não enfrentar qualquer negatividade dentro da cena ou do meu círculo de amigos, família ou colegas de trabalho. Eu era muito aberto com a minha família sobre o que eu estava fazendo e o que isso acarretaria, e eu acho que eles apreciaram isso. Eles também sabiam que eu era um bom garoto, e que eu tinha um lugar para voltar se a música não desse certo. Quanto aos meus amigos, eu sempre andei em um círculo relativamente artístico, então não havia problema. E embora eu tenha tentado mantê-lo escondido, meus colegas de trabalho acharam que era legal eu estar em uma banda e assim eles poderiam me procurar em vários vídeos pelo YouTube. A falta de visual não parecia importar e isso ajudou o Chemical Pictures a não ser o que chamamos de uma típica banda visual kei, em termos de aparência ou música, na verdade.

As únicas coisas negativas que surpreendem são suas perspectivas. À medida que você começa a ver a sua fanbase como número em vez de rostos, se você começar a ter um pouco de sucesso, há a pressão para começar a trazer mais compradores. No entanto, esta é uma coisa estritamente interna e pessoal.

Qual foi o seu maior evento de sucesso?

Jimi: Nosso evento de maior sucesso deve ter sido nosso one-man no Ikebukuro Black Hole em 14 de março de 2010. Nós anunciamos nosso grande cronograma de cinco meses de lançamentos de CDs e lá havia aproximadamente 200 pessoas, muitos amigos também tinham vindo, e foi uma performance muito sólida, que nós estávamos muito satisfeitos. Nosso one-man no Shibuya O-West em setembro de 2010 foi muito divertido enquanto estávamos tocando, mas tudo que o antecedeu foi tão estressante!

Vocês já fizeram alguma turnê ou show que ocasionou à banda e/ou organizador do evento uma perda de capital? O que vocês acham que pode ter causado isso?

Jimi: Com o Chemical Pictures não, mas na minha banda anterior nós quase nunca vendemos os 20 ingressos requisitados e nós mesmos tínhamos que cobrir a diferença dos nossos bolsos. Quando me juntei ao Chemical Pictures e quando começamos a tocar nos eventos de nível mais alto, nunca houve uma grande perda. Pelo menos, não para o patrocinador! E eles estão frequentemente vendendo produtos. Então, eu acredito que uma vez que você tenha produtos para vender e você está no nível pequeno em que estamos, você nunca realmente terá uma perda, e você não está mesmo quebrado, mas você nunca parece realmente quebrar.

Neste show em setembro que eu mencionei na última resposta, contudo, nós ficamos de olho nas vendas de ingressos por muito tempo e elas cresceram tão, tão devagar, que foi um grande alívio quando um dia antes nós tivemos um bom aumento nas vendas. É estressante quando você anuncia um show tão distante e você está acompanhando o número dos ingressos obsessivamente, porque poxa, eu nem mesmo sei aonde eu vou amanhã, muito menos numa noite de quinta-feira, quatro meses a partir de agora.

Bandas visual kei frequentemente se queixam da falta de dinheiro nos negócios. Em uma base regular, quanto tempo e dinheiro você acha que é investido em uma banda em um mês? Quanto dinheiro é feito normalmente no mesmo período de tempo?

Jimi: Eu não estava no comando para lidar com o lado do dinheiro das coisas, então eu não tenho os números exatos do quanto fazemos, mas você pode olhar o preço de um ingresso para um show, calcular "50% a partir do 21º ingresso" e arranjar em números para ver o que uma noite "boa" ou "ruim" pode ser. Mais produtos. Nós nunca tiramos nada para nós e todo o dinheiro dos shows vai para nossa pequena conta da banda que usamos para a gasolina ou outras atividades relacionadas a despesas, algumas vezes hotéis quando estamos em turnê. Nós pessoalmente cuidamos de todas as despesas com instrumentos, ensaios, comida, etc. Às vezes nós mergulhamos profundamente nos fundos da banda por algo relacionado a equipamento como se realmente estivéssemos precisando de dinheiro, mas nós sempre tentamos pagar de volta.

Acima disso, nós pegamos emprestado da nossa gravadora para fazer os CDs, e então temos que pagar tudo de volta com as vendas, eles então tem que ter o seu lucro, e normalmente eles não o tem. O Japão ainda é muito obcecado com as vendas físicas de CDs e enquanto eu tentava impulsionar as vendas digitais, eles estavam muito apreensivos para pensar nisso.

A menos que você esteja atraindo multidões todas as noites, vendendo toneladas de CDs e não gastando muito dinheiro pagando para garantir uma reportagem na capa de uma revista ou disposto a investir em alguns bons anúncios em revistas, você não verá muito dinheiro vindo em sua direção. Se você está indo muito bem, sua produção lhe dará uma bolsa mensal, mas isso normalmente não é o suficiente para quitar o seu trabalho diário. Posso dizer que ensaiamos duas ou três vezes por semana, o que custa uma pequena quantia por pessoa, mais a sua passagem de trem, então isso faz sentido.

Você ou o Chemical Pictures alguma vez aprenderam algo específico de outra banda japonesa e/ou organizador de evento japonês sobre como ser uma banda visual kei de sucesso? Há algo específico que você acha que os organizadores estrangeiros devam saber?

Jimi: Um dos problemas que eu acho que enfrentamos, e eu acho que sabemos que enfrentamos, foi que a maioria dos nossos membros estava antes em bandas relativamente bem sucedidas. A KuRt era muito popular, bem como a SCISSOR. Então, eu sempre quis saber se eles e os caras de outras bandas como eles estavam pensando em ideias de como as coisas foram feitas no período em que eles fizeram bem; ideias que podem não funcionar nos negócios de hoje. E isso pode ser um problema, porque eles podem ficar mais apreensivos para tentar uma nova (ou arriscada) abordagem de negócios.

Outra coisa que eu sugiro mais frequentemente aos organizadores estrangeiros é que nós, os caras da banda, não sabemos nada sobre logística. Você vai lidar com a sua produção de qualquer forma. O que eu sugeriria é estar à frente de como as coisas normalmente funcionam no seu país, pergunte a eles como eles estão acostumados ao funcionamento das coisas no Japão, deixe-os saber suas expectativas, ouça-os e tentem chegar a algum tipo de acordo. Muito do como as coisas são executadas parecem ser bem diferentes. A Coréia foi fácil para nós; eu até mesmo acho que penaria para me ajustar para vir e fazer um show dos Estados Unidos.

Isso pode ser também uma coisa pessoal, mas muitas vezes eu ouço sobre bandas que vão tocar em alguma convenção e eu penso, eu nunca, literalmente, ouvi falar nesses caras e esta convenção está lhes dando toneladas de imprensa. Eles podem até mesmo nem ser bons. Isso é algo econômico? Se você der uma olhada em uma revista e escolher uma banda com uma difusão decente para a capa da revista, por que você não vai com eles? Se você pegar uma banda jovem e levá-los para o exterior, eles geralmente voltam para... nada. Porque agora toda a sua fanbase está apenas em um país e não em seu país de origem.

Outra coisa é que eu ouvi muitas histórias de terror e eu acho que desejo que mais organizadores, staff e etc. sejam capazes de separar sua existência como um fã da sua existência como alguém que ajuda em um evento sem problemas. Fiquei realmente bom em poder dizer quando alguém está só tentando fazer um bom trabalho com alguém que ama, ou se está tentando se aproximar de mim por informações internas ou poder dizer que saiu com um j-rocker ou o que quer que seja!

Alguém no Chemical Pictures tem pelo menos um emprego de meio período além da banda? Sempre foi mais de um?

Jimi: Quase todo mundo no Chemical Pictures tem empregos, e tiveram vezes, quando nós estávamos realmente ocupados, que alguém tinha que sair do seu trabalho e arranjar outro quando as coisas se acalmassem um pouco. Tenho que pagar o aluguel. Isso foi fácil para eles, já que são japoneses e podiam escolher qualquer coisa de meio período, mas pra mim, isso foi um pouco mais difícil, já que eu tenho que provar essencialmente que posso fazer coisas que os empregados japoneses comuns não podem, além de outros requisitos relativos aos vistos e etc. Eu não gosto de ter que equilibrar isso.

Na maior parte do tempo, os caras da banda fazem a inserção dos dados ou trabalharam em uma loja, restaurante, construção ou entregas. Isso deve ser difícil para aqueles com cabelos loucos, piercings e tatuagens encontrarem um trabalho relativamente normal. Eu fui um professor do jardim de infância (o que foi incrível), um tradutor e, agora, eu ainda traduzo, tenho um emprego de período integral e sou baixista/guitarrista/tecladista ocasional, o que for, para outros músicos, mas isso é só porque eu ainda gosto de música; eu só não sei se quero ser “o cara"! Também, com todos esses PVs/comerciais eu costumava não fazer muito dinheiro a menos que estivesse fazendo um monte deles, ou alguns de realmente alto padrão.

Vamos falar da cena visual kei mais em geral. Quais são os maiores equívocos que você acredita que os fãs têm sobre a cena visual kei, incluindo bandas e administração?

Jimi: O visual kei pode ser popular em um canto da internet, mas mais do que uma comunidade unida, aqui não é um cenário nacional. Os caras do visual kei trabalham para viver, frequentemente em tempo integral se não vivem com seus pais ou namoradas. Os caras do visual kei algumas vezes têm namoradas ou são casados. Os fãs não gostam disso por algum motivo. Quando uma celebridade está para se casar ou namora alguém, é assim "ah decepção!", mas é assim, não uma "ah decepção!" real, porque com quem você está realmente brincando? Mas por alguma razão, o fandom de um ídolo no Japão não tem amabilidade com isso.

Bandas visual kei não acreditam realmente em "visual kei". Isso é apenas um tipo de propaganda sob a qual as pessoas podem financiar as bandas e manter as revistas/lojas/etc. em funcionamento para capitalizar com o fenômeno. "Capitalizar" e etc. soa como uma palavra suja e eu sou um hippie liberal, mas isso é só trabalho e eu estou bem com isso.

Custa dinheiro fazer tudo isso, até mesmo aparecer na capa de uma revista, que muitas vezes é o motivo de você ver as mesmas bandas mês após mês. Mesmo quando uma banda se torna major, ela frequentemente continua a ser administrada pela mesma pequena produção, isso apenas significa que ela conseguiu maior impressão e distribuição mais ampla. Então para muitas bandas visual kei se tornar major não significa muito mais do que isso.

Eu tenho certeza que há muito mais, mas eu me pergunto se isso tem a ver com equívocos sobre o visual kei ou música japonesa, ou muito mais a ver com equívocos sobre como os negócios de música e/ou negócios em geral funcionam como um todo. Eu não sou perito, entretanto.

Por que o visual kei é geralmente descrito como um aspecto negativo na sociedade japonesa?

Jimi: Tanto as imagens originais do visual kei quanto o fandom vêm de um lugar bastante obscuro, eu acho. No início, quando o estilo gótico era mais próspero, você via muito sangue, morte e dor – até mesmo imagens de alguns nazistas. Muitos nomes de bandas expressaram alguns conceitos bastante cruéis. Seus fãs eram tipicamente “crianças perdidas”, talvez distantes emocionalmente, emocionalmente machucados ou desgastados e preocupados em se expressar exteriormente de formas menos normais com suas escolhas de cabelo, roupas e maquiagem. Como a grande maioria do fandom visual kei é feminina, todo o mercado é voltado para este gênero.

No seu auge, algumas das bandas visual kei mais “chocantes” apareceriam em lugares de grande visibilidade, em programas de televisão sobre música de maior audiência e etc. O visual kei que permanece na mente nas pessoas é o rock chocante do X JAPAN, a arrogância sexy do LUNA SEA e as mudanças de gênero do SHAZNA; compreensivelmente, um monte de pais ficaram preocupados. Você tem que pensar como um pai algumas vezes, eu acho. Todos os meus ex-colegas de banda tem histórias de estar vendo o X ou o LUNA SEA na TV e ouvir seus pais dizerem a eles “por favor, não cresçam e fiquem assim”. Felizmente, à medida que eles cresceram em uma banda, seus pais acabaram por apoiar, pelo menos um pouco, seus sonhos enquanto ficarem fora de problemas, mas eu posso imaginar que como um pai, sua mente pula para os aspectos semeadores da indústria musical associados a outros gêneros.

Como você pode ver ao olhar para as capas de revistas, o visual kei não é mais aquela besta obscura, irritante, pesada e gótica que envolveu os anos 80 e início dos 90, mas também não é tão visível quanto costumava a ser. Ele realmente tem esculpido o seu lugar. Em uma era onde todo mundo está conectado tecnologicamente e é fácil procurar e encontrar pessoas com a mente parecida, não é mais necessário estar nos olhos nacionais para fazer um dinheirinho. Isso significa que quando as pessoas que não estão relativamente familiarizadas com isso escutam o termo visual kei, elas voltam a pensar no que mais se lembram.

Como uma opção mais simples, muitas vezes as pessoas simplesmente pensam que a obsessão de parecer bem ou parecer estranho em uma base constante é altamente narcisista. Eu não vou negar que é muito fácil sentar em uma cadeira de maquiagem por uma hora, vestir roupas desenhadas por outra pessoa, olhar fotos retocadas com boa luminosidade e pensar, “caramba, eu pareço bem”. Eu suspeito que isto possa levar a um problema de atitude. Eu acho que a minha intenção com estas respostas é que elas abranjam os dois sentidos!

O que você acha que causou o súbito interesse e aceitação do visual kei no exterior na última década?

Jimi: De longe, a internet. Quando eu comecei a aprender japonês quando era jovem, muitos dos meus amigos japoneses e americanos-japoneses ouviam música do Japão pela internet. Nestes dias, mais autossuficientes, os nichos autossuficientes que têm se formado jamais poderiam ser apoiados antes da vinda da internet. Eu suspeito que custos com publicidade teriam engolido todo o seu dinheiro.

Eu sou um cara extremamente normal, então tudo isso é mera conjectura, mas eu acho que isso ajudou esta cena moderna ou as crianças góticas a evoluírem apenas como algo com uma estética similar (o visual kei em sua configuração atual) que cutucou o exterior. Além disso, tendo consciência da natureza do nicho, algumas pessoas ficaram admiravelmente furiosas sobre deixar as pessoas saberem sobre esta nova música louca que encontraram no Japão. Obviamente seu entusiasmo encontrou muita resistência, mas eu me lembro de anos atrás quando os fansites estavam por toda a internet. Aqueles eram portais. Uma vez que você encontra uma comunidade de pessoas que se sentem sozinhas e estranhas na adolescência, quando se reúnem ficam realmente fortes. Você vê isso em todos os tipos de coisas, para melhor ou para pior. O mundo é muito grande e cheio de muitos tipos diferentes de pessoas para que uma coisa ganhe aceitação universal, e eu acho que a maioria das pessoas tem a sorte de aceitar isso implicitamente. Eu acho que as pessoas se sentem muito mais livres fazendo muitas coisas diferentes a fim de não se sentirem tão pequenas e sozinhas.

Nos últimos anos, o interesse dos EUA diminuiu, mas manteve-se estável na Europa, inclusive um recente aumento do interesse no visual kei da Europa Oriental. O que você acha disso? Você tem alguma explicação para o crescimento?

Jimi: Eu falei sobre isso com um monte de bandas diferentes, mesmo com toda a minha experiência como um Americano e tendo tocado em alguns estados com minhas velhas bandas americanas. O fato é que os Estados Unidos é muito grande. Não importa onde você faça um show, ele é inacessível para muitas pessoas que realmente queriam ir. Eles precisariam pegar um avião, alugar um carro, dirigir seu carro por milhares de milhas e etc. Além de algumas cidades grandes não terem um modo confiável de transporte público. Os custos são muito altos para alguém de 16 anos de Nebraska ou algo assim. Mesmo que eu raramente me aventurasse fora da minha cidade natal para um show, mesmo realmente querendo ver algumas pessoas. Eu sou da Califórnia e do Central Valley, então ir a São Francisco ou Los Angeles era uma enorme provação para apenas um show.

Eu nunca fui para a Europa, mas entendo que é muito mais fácil se mover de país para país, especialmente na União Europeia. Os países são muito menores e parece que a cena underground europeia pode ganhar muito mais força simplesmente por causa da sua geografia, desconsiderando, por um momento, atitudes diferentes.

Para bandas fazerem sucesso é preciso muito dinheiro. Você tem que fazer mais do que um show para sentir que ele vale a pena do ponto de vista emocional ou vale a pena em termos de dinheiro. Na América, você pode ter pessoas suficientes que queiram ir assistir um show em todo o país, mas não importa onde você toque, você provavelmente não vai vender ingressos o suficiente que faça valer a pena o tempo de ninguém, a não ser que você seja uma grande banda envolvida em uma turnê como o DIR EN GREY ou o D'espairsRay.

Muitos fãs reclamam que as bandas não vão para os seus países e que a acessibilidade é limitada, mas eles querem que a cena permaneça pequena e intimista. Você acha que existe algum meio termo viável?

Jimi: É uma droga se você realmente quer ver uma banda, mas não tem meios de fazê-lo, porém isso é mais um problema pessoal do que qualquer coisa. É necessária muita preparação para fazer um show de qualquer natureza fora do seu país. Quando tocamos na Coréia, nós estávamos submetendo os vistos super cedo, colocando as coisas em ordem, estimando quais staffs levar, o que poderíamos trazer... nós voamos na mesma companhia aérea de Tóquio a Seul e enquanto nos permitiram trazer as guitarras no voo para a Coréia, voltando para casa eles nos disseram que teríamos que despachá-las... nós não tínhamos trazido as cases duras, pois nos foi dito que poderíamos levá-las dentro do avião sem problemas. Então, eu tive conversas bem acaloradas com vários representantes, e havia coreano, japonês e inglês sendo falado por todo o lugar e só eu no meio era capaz de falar pelo menos duas línguas!

Se nós fossemos uma banda grande, nós poderíamos contratar alguém para cuidar de tudo, mas é assim, bandas pequenas fazem tudo sozinhas. E depois ironicamente, as bandas grandes frequentemente não parecem fazer muito esforço para tocar no exterior, porque elas têm uma casa para voltar.

Eu acho que o único meio termo é aceitar que você decidiu seguir algo que é um super nicho, então apenas consuma o que você pode consumir.

Nathan Reaven do site legítimo de MP3 japonês Hear Japan, publicou uma carta para os fãs em que disse que “o download ilegal está matando a cena visual kei no exterior”. Qual a sua opinião sobre esta publicação?

Jimi: Primeiramente, eu já trabalhei com Nathan, ele é um cara ótimo e eu o respeito muito e ao seu trabalho. Eu acho que ele está lutando arduamente, mas se alguém puder fazer isso, ele pode. Também, eu acredito no espírito dessa carta, se não, no tom. Eu acho que é suspeito quando seus números de vendas não correspondem ao número de pessoas dizendo que estão ouvindo um lançamento. Como um músico iniciante, eu realmente não me importaria muito se as pessoas estivessem fazendo downloads. Eu acho que agora estamos em um ponto em que as pessoas percebem que têm que apoiar seus nichos financeiramente se quiserem que eles continuem a fazer dinheiro. Ninguém mais fica surpreso quando uma banda, cuja discografia inteira foi baixada de graça, acaba.

Como um artista, eu não me importo se as pessoas façam downloads, porque, em primeiro lugar, nós queremos ser ouvidos. Nós queremos que as pessoas falem sobre nós. Queremos um núcleo da fanbase que comprará nosso material e então encorajará pessoas a comprá-lo. Eu gosto disso porque nos dias de hoje parece crescer organicamente em sua maior parte. Eu não sei o que é um street team, mas o que é melhor do que a promoção pelo boca a boca, redes sociais e etc? E a indústria japonesa, se realmente quer entrar no mercado digital, vai absolutamente ter a necessidade de abraçar o formato digital de vendas, e não ser tão agressiva em silenciar caminhos que são perfeitamente de boa publicidade. Eu entendo o seu rigor quando se trata de marketing de artistas ocidentais no Japão, mas não vai simplesmente trabalhar no sentido inverso.

Se você quer mover grupos por um custo menor, você precisa oferecer um formato digital. Nós tivemos tiragens de 1.000 CDs por cada lançamento. Este é o melhor número/custo que poderíamos lidar. Algumas bandas fazem menos do que isto. Se oferecermos um método de venda digital em cima disso, poderíamos recuperar o custo das gravações de forma muito mais fácil.

Nathan está sendo mal interpretado, ou talvez não esteja explicando o caso claramente; é que eu não acho que ele esteja alegando que isso está matando apenas a cena visual kei no exterior. Eu tenho certeza que o visual kei é o responsável pela maior parte de suas vendas no momento, a menos que as coisas tenham mudado. O que eu acho que as pessoas precisam entender é que ele é pego no meio, entre as gravadoras japonesas que são resistentes a este novo modelo de distribuição, sendo teimosos mesmo quando está praticamente fazendo um favor, e jovens crianças sem muita renda disponível que poderiam permitir teoricamente um lançamento digital, mas que se sentem desconectados da causa/efeito e não entendem o impacto de não ser uma parte empírica dos dados estatísticos para ajudar a garantir que a música que eles gostam continue a ser feita. Embora eu tenha feito o argumento do poder da tecnologia social moderna, isso infelizmente pode ter causado uma enorme desconexão. A indústria tem três opções: renunciar a trabalhar com um revendedor e começar sozinhos o marketing dos lançamentos digitais, parar totalmente de vender nos mercados estrangeiros, ou engolir e aprender como trabalhar com poucas empresas como a Hear Japan.

A tentativa deNathan é de proporcionar uma ponte para empresas que não sabem como introduzir no mercado um novo subconjunto de consumidores, para consumidores que ainda acham que estão apunhalando estas empresas. Infelizmente, eles estão apunhalando caras como Nathan, que é um modelo muito bom, se você não contar as pessoas com um senso de subvenção.

Eu entendi; CDs são caros; mas eles custam muito mais para fazê-los. Todo aquele tempo de estúdio. Mesmo que você vá fazer tudo isso em sua própria casa, ainda leva muito tempo e investimento. Algumas pessoas mais radicais acham que a música deve ser grátis, pois os shows são onde as pessoas fazem o seu dinheiro, mas eu realmente não vejo propósito nisso.

Em algum tipo de lado, eu não acho que downloads ilegais deveriam ser totalmente desencorajados, porque eu sei de diversos casos onde você pede ou pega uma música ou mais, ouve por um tempo e então pensa, “droga, esse material é bom, eu deveria comprá-lo”, e então o compra. Eu sempre penso em como o Radiohead fez com In Rainbows. Admito, praticamente só o Radiohead poderia ter retirado algo assim e ainda fazer dinheiro com a venda de músicas, mas eu vou dizer apenas que comprei e gostei mais das coisas que pude experimentar profundamente, do que do material que comprei as cegas.

Em sua opinião, o que tem que acontecer para permitir que o visual kei se torne um estilo musical mainstream?

Jimi: O negócio do gênero como um todo provavelmente teria que começar a jogar nas regras da indústria, mesmo que seja apenas no Japão ou internacionalmente. De uma perspectiva de negócios, isso é bem sucedido em um pequeno nicho, mas terá que se ramificar mais do que isso. Muito disso, é claro, tem a ver com as tomadas em que programas de TV estão dispostos a deixar que uma banda visual kei apareça, ou em um bloco de anúncios, ou no que for – o the GazettE estava no “HEY HEY HEY” (um programa de TV japonês) há alguns anos, mas eu não vi nenhuma outra banda visual kei fazer isso, e isso não abriu a porta para mais ninguém.

Bandas e produção precisam, talvez, ser um pouco menos protetores com a sua imagem. Eu não quero desrespeitar o the GazettE, mas eu me lembro que nessa aparição faltou neles o sentimento de abertura e do fluxo livre de conversa que se tem com quase todos os artistas. Isso é estranho porque se você ler uma entrevista em uma revista visual kei, há muita brincadeira e revelações bobas. É fácil controlar o que vai em uma entrevista impressa, mas é preciso certo tipo de personalidade para se fazer uma boa entrevista /aparição, e eu posso pensar em um monte de bandas. Eu pessoalmente sei quem faria um bom trabalho/destruiria algo completamente. Eu amaria ver o NoGoD fazer um programa como esta, porque eu garanto que Danchou poderia brincar muito bem com os apresentadores, por exemplo.

Obviamente muitos fãs querem ver o visual kei se tornar mainstream, mas eu acho que a questão é se a cena em si e os negócios por trás dela querem se tornar mainstream ou não. Eu muitas vezes não tenho certeza. Desde o “Pink Lady and Jeff” (um programa de TV americano), a música japonesa tem tentado entrar no mercado americano aos poucos, mas isso nunca funcionou.

Eu suspeito que isso tenha a ver com a linguagem. Diferente do fenômeno da música de língua espanhola, que ocorreu em sua maior parte porque a América tem muitos imigrantes da língua espanhola, eu não consigo pensar em nenhum outro fenômeno de longa duração que não fosse em inglês, fora do nicho de shows como Sigur Ros. Poucos japoneses têm um grande domínio do inglês e mesmo aqueles que o tem frequentemente não pensam em tentar entrar na cena americana. Quando o fazem (falando bem inglês), eles não o fazem bem por outras razões. Isso que fez o fracasso de Utada Hikaru tão frustrante para mim; eu realmente acho que sua composição para suas músicas japonesas são excelentes, mas ela deixou a desejar com produtores americanos nas coisas em inglês. Então, eu sinto que alguém deveria ter ajudada a escrever letras melhores.

Muitos fãs dizem gostar do fato de não entenderem as letras das músicas japonesas porque as letras em sua própria língua são ruins, mas cara, há muitas letras ruins em qualquer língua!

Além disso, e este eu acho que é grande ponto – pra começar, o Japão é um país muito mal compreendido. Não é tudo samurai, ninja, “dragonball”, meninas colegiais e fetiches sexuais estranhos. Muito disso, na verdade, é incrivelmente normal e às vezes um pouco chato. Todo o Japão é apenas diferente. Eles fazem coisas de maneira diferente de nós, comem coisas diferentes, falam coisas diferentes. Eles também fazem coisas diferentes, comem coisas diferentes e dizem coisas diferentes que o Reino Unido (em comparação aos Estados Unidos), mas acontece de nós falarmos relativamente a mesma língua, então faça o que você quer.

Eu realmente não acredito que qualquer exportação cultural do Japão possa começar a ser levada a sério, a menos que recuperemos o que foi sequestrado por nerds de internet ocidentais que estão apenas regurgitando o que os nerds de internet japoneses jogaram fora e dizendo que qualquer que seja o desenho incrivelmente underground ou qualquer outra coisa, não é essencial para o país. Frequentemente me perguntam o que eu acho sobre alguma sub-cultura estranha da internet que ganhou terreno ultimamente e eles ficam muito surpresos quando eu digo que honestamente nunca ouvi falar daquilo e duvidaria que qualquer japonês na rua tivesse sequer escutado. Há uma desconexão real e embaraçosa entre o que é popular na internet e o que é popular fora dela. Essencialmente, a internet é uma faca de dois gumes.

Você acha que é melhor para uma tendência como o visual kei permanecer como um fenômeno underground?

Jimi: Eu certo sentido, eu acho que concordo... pelo menos, até as próximas X ou LUNA SEA -- ou seja, uma banda que realmente capture os ouvidos de uma grande quantidade de pessoas – apareça. No entanto, eu não acho que a cena é escrita com um público nacional em mente.

Uma vez que se coloca um termo vago como "visual kei" em algo, eu acho que você automaticamente irá limitar o seu público. Quero dizer, isso não é realmente um gênero musical em si. Sim, definitivamente há características escritas em músicas visual kei ou sons, mas eles são clichês simplesmente destilados que infestam a música japonesa como um todo. O tipo visual kei se baseia em seu estilo underground. Se fosse mainstream, você não poderia ir a um evento em uma loja e falar com a banda, apertar suas mãos, ou tirar uma foto com eles. Então, o fato do AKB48 poder fazer algo como isso em uma escala nacional, é muito selvagem. A cena é o que ela é, para o melhor ou pior, e será interessante ver como as coisas mudaram em poucos anos, desde que me lembro, sendo que eu estava me consolidando em 2007-2010.

Muitos fãs reclamam do elitismo dentro da cena de fãs no exterior. Você acha que isto também é proeminente dentro da cena japonesa? Você acha que há algo que possa ser feito para mudar isso?

Jimi: Sim, isso também pode ficar muito ruim dentro da cena japonesa. O Chemical Pictures realmente teve sorte; nós realmente não tivemos nenhum problema com fãs. Algumas bandas de amigos fizeram “declarações” sobre fãs fazerem alguma coisa de hierarquia, onde todos possam ficar durante um show, reservar lugares, comprar ingressos, comprar CDs ou produtos limitados, o que seja. Eu não posso lidar com isso e isso realmente não me faz querer lidar com os fãs. É uma vergonha, porque apenas poucas pessoas me criticam, enquanto há 100 vezes mais fãs realmente incríveis que dizem e fazem coisas maravilhosas. Eu tenho feito turnês com bandas de amigos próximos que foram literalmente perseguidas por alguém ou fizeram/disseram coisas a eles bem diante dos meus olhos, que fizeram com que eu me preocupasse com a sua segurança, mas felizmente isso não é algo com o qual eu tenha experiência. Acho que eu não os inspiro a fazer isso!

Eu não estou falando por outras bandas ou pelos outros membros de minha ex-banda, mas as pouquíssimas vezes eu esbarrei com um fã realmente rude, senti-me ofendido. Você não diria/faria isso com os seus amigos, faria? Eu tento não ter aversão pelas pessoas, mas isso me faz querer não gostar dessa pessoa. Nós sorrimos e aguentamos isso, mas eu acredito que se eles ainda agirão assim é só chegar e dizer “isso está realmente me incomodando, você pode não fazer isso?”. Então, novamente, algumas pessoas provocam as coisas apenas pela satisfação de chamar atenção.

Algumas vezes a melhor coisa a fazer é ignorar, mas para algumas pessoas isso é difícil. Eu acho que KAMIJO é realmente aberto e honesto quanto ao seu desgosto relativo ao elitismo/divisão dos fãs, e eu acho que a sua abordagem pessoal (em vez de ter apenas staffs ou outros agentes para lidar com isso) é na verdade muito boa. Eu gostaria de ser tão forte!

Assim como dentro da cena... cara, eu só não entendo a necessidade de provar o quão grande fã você é para aqueles a sua volta. Quando eu fazia shows, eu lembrava tanto da pessoa de pé atrás, sorrindo e perfeitamente imóvel durante os últimos meses de shows, quanto da menina da frente e do centro ficando louca e gritando. Contudo, isso pode ser só comigo. Não me importava se eles não sabiam nada sobre mim e só apreciavam o show, ou se sabiam tudo que eu já tinha feito e me davam os presentes certos. Obviamente, tudo isso ainda é uma experiência legal, mas no final a única pessoa que sabe o que importa é você mesmo e como isso contribui para a sua felicidade geral.

Eu realmente estou por for a da cena dos fãs, então não tenho certeza do que constitui o elitismo, ou qual tipo de elitismo prevalece... mas há esse jogo, eu estou nele agora e estou tentando procurar por formas de como jogar este jogo melhor. Há algumas pessoas que estão falando sobre como elas odeiam "noobs" e só tocam porque querem ser melhores que as pessoas, para explorar o jogo o máximo possível. Eu só posso dizer “ok, claramente estamos ganhando coisas diferentes fora desta experiência”. Eu só estou tendo um bom momento. Quando eu jogo jogos com o meu irmão, ambos perdem constantemente, mas nós estamos rindo, nos divertindo e nos unindo, e isso é mais importante do que quantos eu matei ou quantos níveis ganhei. Eu tenho certeza que há uma lição nisso que se aplica à música também...

No final é só arte; arte associada a boas memórias para você. Eu não zombo de você se você gosta de uma pintura, mas eu não a amo; Mas eu o farei se eu disser que amo os The Beatles e você disser que prefere The Rolling Stones. O mesmo com BOØWY e BUCK-TICK ou o que for.

Eu sinto que se você é um fã de uma cena e está tendo discussões, indo a shows acompanhado e, ainda assim, está fazendo mais inimigos do que amigos, você está fazendo isso errado. É difícil quando você é jovem e sente que precisa se destacar, mas também se misturar, e você está a procura de algo para ajustá-lo, mas que é o ponto de encontrar uma comunidade, eu acho. Eu não sei de onde vem o elitismo no Japão e, na verdade, eu deliberadamente evito ler discussões de fãs, enquanto caras que eu conheço procuram por si mesmos no Google ou por tópicos sobre suas próprias bandas no 2 Channel (BBS japonesa) ou outro, para ver o que as pessoas estão falando. Eu não seria capaz de lidar com isso, embora eu já tenha procurado antes no Google o Chemical Pictures e eu mesmo! Eu não me arrependi… ainda.

Finalmente, você tem outros pensamentos ou experiências que gostaria de compartilhar?

Jimi: Eu digitei várias respostas para isso e as deletei, porque elas acabaram soando diferente do tom que eu pretendia dar. Eu gostaria de poder sentar aqui e lhe dar recomendações de artistas que eu acho que são bons e que merecem o apoio de todos, mas isso seria lido basicamente como uma lista dos meus amigos, mesmo que eu acredite que eles sejam muito talentosos.

Eu simplesmente desejo encorajar que todos fiquem cientes do há por trás do pequeno grupo de pessoas que compõem uma banda atual. Sim, a maioria dessas bandas começa como um genuíno grupo orgânico de rock, mas a própria natureza do gênero significa que há várias pessoas para orientar e moldá-los. Elas precisam de investimento. Elas não serão capazes de pagar um cliente, um maquiador, um engenheiro de gravação e etc, tudo sozinhas. A produção existe para moldar a energia bruta da banda em algo audível para um público maior, para permitir uma renda estável o suficiente para pelo menos continuar no mesmo nível, da mesma forma que Artistas e Repertório é usada. Em geral, mesmo o visual kei no nível médio é ídolo pop com guitarras e maquiagens, e eu acho que muitos de nós no Japão recebemos isso como uma dádiva.

Eu gostaria que mais pessoas estivessem dispostas a nos apoiar, mas eu acho que as pessoas da indústria realmente não sabem o que fazer com a gente. Enquanto eu ainda estava no grupo, conversamos com muitas gravadoras/produções diferentes e todos eles realmente gostaram de nós, mas eu acho que eles não sabiam bem como moldar o que estávamos fazendo em algo que um público de visual kei gostaria de consumir em grandes proporções. Eu acho que essas foram as experiências mais frustrantes. Eu sou um otimista cauteloso, mas, às vezes, foi desencorajador.

Algumas vezes você escuta histórias de terror sobre homens de bandas populares e fãs “loucos”, mas eu sou tão grato àqueles que se proclamaram um fã de Jimi, foi tão, tão bom e generoso. Algumas vezes quando um membro sai, pode gerar rancor entre a fanbase, ou eles podem parar de gostar desse ex-membro, mas eu acho que fui um caso especial por muitas razões e mantive laços fortes com meus ex-colegas de bandas e fãs, mesmo quando estava saindo para o meu próprio lado do visual kei. Eu até ajudei a treinar Taku nos ensaios. Eu não sabia como isso era raro.

Eu acho que no fim estou tentado dizer que essa não é uma típica experiência no visual kei. Eu posso dizer que esse é um pequeno mundo; todo mundo se conhece, todos foram de uma banda, ou uma sessão, ou uma quase banda, com todo mundo, ou mesmo apenas amigos. Há diretamente uma pequena competição entre nós, a menos que haja alguém muito ruim, que é tão rara para ser ativamente desencorajada. No geral, estar em uma banda é mais difícil do que parece, especialmente uma que tem tantos investimentos periféricos.

Eu tive muitas experiências legais e não me arrependo do meu tempo gasto. Eu poderia ter feito as coisas de forma diferente, mas tudo bem. Apoie bons artistas, ignore os ruins e seja legal com os outros.

O JaME gostaria de agradecer a Jimi Aoma por nos dar a oportunidade desta entrevista.
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